criticanarede.com · ISSN 1749‑8457
Crítica

18 de Novembro de 2008

O Músico no Violino, Henri Masson

A natureza da filosofia e o seu ensino, de Desidério MurchoAcesso gratuito

Neste artigo defende-se duas idéias principais. Primeiro, que compreender a natureza aberta e especulativa da filosofia é uma condição necessária para uma compreensão fecunda do seu ensino. E segundo, que para se ter uma compreensão fecunda do ensino da filosofia é necessário distinguir cuidadosamente as competências estritamente filosóficas da informação histórica, e a leitura filosófica ativa dos textos dos filósofos da sua mera compreensão.

17 de Novembro de 2008

Por Que Escrevo e Outros Ensaios

Mário Santos: Por Que Escrevo e Outros Ensaios, de George Orwell

George Orwell (1903-1950) é fundamentalmente recordado como autor de duas famosas alegorias políticas do século XX: os romances Mil Novecentos e Oitenta e Quatro e A Quinta dos Animais. Mas foi também um fértil ensaísta (acolhendo aqui esta designação os mais variegados artigos jornalísticos). Foi sobretudo um comprometido publicista (como antigamente se dizia). Essa qualidade é evidente no volume que a editora Antígona acaba de publicar.

31 de Outubro de 2008

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Notícias, comentários, livros novos, pequenos artigos e muito mais: tudo isto no novo blog da Crítica, no qual os leitores podem interagir com os autores.

27 de Outubro de 2008

Jean-Paul Sartre
Jean-Paul Sartre

Sartre e o anti-semitismo, de George Orwell

O anti-semitismo é obviamente um assunto que precisa de ser seriamente estudado, mas parece improvável que o venha a ser nos próximos tempos. O problema é que enquanto o anti-semitismo for encarado simplesmente como uma aberração vergonhosa, quase um crime, qualquer pessoa suficientemente literata para ter ouvido a palavra irá obviamente declarar-se-lhe imune; e em resultado disso, livros sobre o anti-semitismo tendem a ser meros exercícios de tirar argueiros dos olhos dos outros. O livro de Monsieur Sartre [Portrait of the Anti-Semite, trad. ingl. de Erik de Mauny] não é excepção, e nada ganhou provavelmente por ter sido escrito em 1944, no período de embaraço, autodesculpabilização e caça às bruxas que se seguiu à Libertação.

25 de Outubro de 2008

The Cult of Information: A Neo-Luddite Treatise on High Tech, Artificial Intelligence and the True Art of Thinking

Insight e cognição, de Theodore Roszak

Se há uma arte de pensar que quereríamos ensinar aos jovens, tem muito a ver com isto — mostrar como a mente se pode mover ao longo do espectro da informação, discriminando generalizações súbitas de pressentimentos, hipóteses de preconceitos irreflectidos. Para o nosso propósito, contudo, quero mover-me para o extremo do espectro, para o ponto limite em que os factos, cada vez mais rarefeitos, desaparecem por fim completamente. O que encontramos quando ultrapassamos tal ponto e entramos na zona em que os factos estão totalmente ausentes?

22 de Outubro de 2008

Introdução à Estética

Desidério Murcho: Introdução à Estética, de George Dickie

A filosofia da arte é provavelmente a disciplina da filosofia que conheceu um desenvolvimento mais exuberante nos últimos cinquenta anos. Apesar de todas as disciplinas da filosofia terem conhecido um desenvolvimento imenso no mesmo período, nota-se mais no caso da filosofia da arte precisamente porque era uma área pouquíssimo cultivada até muito recentemente. O mesmo se pode dizer da estética. Esta última aborda problemas que ultrapassam o âmbito da filosofia da arte, como a natureza e valor da beleza em geral (e não apenas artística) e do juízo estético em geral (e não apenas o juízo estético sobre as artes).

13 de Outubro de 2008

A Estrutura das Revoluções Científicas

Eduardo Dayrell: A Estrutura das Revoluções Científicas, de Thomas S. Kuhn

A Estrutura das Revoluções Científicas, de Thomas Samuel Kuhn (1922–1996), é uma das obras mais influentes em filosofia da ciência; menos pela solidez de seus argumentos do que pelo elevado número de divergências e debates que tem causado. Originalmente publicado em 1962 e traduzido para mais de vinte línguas, este livro constitui uma das principais fontes de argumentos para quem defende o relativismo epistêmico e científico. Opõe-se, principalmente, ao conjunto de crenças compartilhadas pelos filósofos do Círculo de Viena e seus sucessores. Sobretudo, o debate com Karl Popper (1902–1994) e Imre Lakatos (1922–1974) foi intenso.

11 de Outubro de 2008

Ronald Dworkin
Ronald Dworkin

Dworkin em português, de Matheus Silva

Ronald Dworkin é um dos filósofos do direito mais importantes da atualidade. É conhecido principalmente por sua crítica à Jurisprudência Positivista, que trata o direito como um conjunto de regras passíveis de análise independentemente da moralidade. Dworkin argumenta que isto é um engano, pois a distinção entre fatos e valores no domínio legal, entre o que o direito é de fato e o que o direito deveria ser, é mais imprecisa do que a Jurisprudência Positivista supõe. Deste modo torna-se impossível determinar o que o direito é em casos particulares sem recorrer a considerações morais e políticas sobre o que deve ser. Além disso, Dworkin sustenta que as decisões jurídicas adequadas se baseiam na melhor interpretação moral possível das práticas em vigor em uma determinada comunidade.

sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

O Jovem Stálin

Weber Lima: O Jovem Stálin, de Simon Sebag Montefiore

Muito do que se pensou e ainda se pensa sobre Ióssif Stálin deve-se aos escritos de Trotsky — um rival do ex-ditador soviético desde que se conheceram pela primeira vez. Mas Trotsky era presunçoso, arrogante e não menos vaidoso do que Stálin e por isso descreveu seu opositor de maneira superficial a fim de desvalorizá-lo.

24 de Setembro de 2008

Filosofia Antiga

Desidério Murcho: Filosofia Antiga, de Anthony Kenny

Este é o primeiro volume, dedicado à filosofia antiga, da nova história da filosofia da Oxford em quatro volumes, agora publicada pela Loyola no Brasil, e que será em breve publicada pela Gradiva, em Portugal. A Loyola anuncia para breve o segundo volume; os restantes dois ainda não estão publicados. O livro é excelente, inovador, maximamente informativo e de leitura agradável. Sendo escrito por um único historiador e filósofo, oferece uma unidade que outras histórias da filosofia não têm.

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Ethics: Inventing Right and Wrong

A subjetividade dos valores, de J. L. Mackie

Não há valores objetivos. Essa é a crua enunciação da tese deste capítulo. Não obstante, antes de argumentar em sua defesa, tentarei esclarecê-la e restringi-la de maneiras que possam enfrentar certas objeções e evitar alguns mal-entendidos.

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Nelson Goodman
Nelson Goodman

O novo enigma da indução, de Nelson Goodman

Ao terminar a conferência anterior, afirmei que iria hoje examinar como estão as coisas no que diz respeito ao problema da indução. Numa palavra: penso que estão mal. Mas as dificuldades reais com que nos confrontamos actualmente não são as tradicionais. Aquele que é normalmente entendido como o Problema da Indução está resolvido, ou dissolvido; e enfrentamos novos problemas que ainda não estão amplamente compreendidos. Para abordá-los, terei de passar o mais rapidamente possível por algum terreno conhecido.

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Henry Sidgwick
Henry Sidgwick

Liberdade e justiça distributiva, de Henry Sidgwick

Segundo alguns pensadores influentes, no entanto, há um modo de sistematizar estes direitos e de os colocar sob um único princípio. Embora a sua perspectiva talvez seja hoje um pouco antiquada, é ainda suficientemente corrente para merecer um exame cuidado. Defendeu-se que a liberdade como ausência de interferências é, na verdade, tudo o que cada ser humano, originalmente e à margem de contratos, deve estritamente aos outros; pelo menos, que a protecção desta liberdade (incluindo a imposição do cumprimento dos contratos livres) é o único fim apropriado da lei, isto é, daquelas regras de comportamento mútuo que são sustentadas por penas infligidas sob a autoridade do governo. Segundo esta perspectiva, podemos resumir todos os direitos naturais no direito à liberdade, pelo que a implementação completa e universal deste direito seria a realização completa da justiça — a igualdade que se supõe a justiça ter em vista seria interpretada assim como uma igualdade de liberdade.

Domingo, 31 de Agosto de 2008

Dicionário de Filosofia da Educação

Rui Daniel Cunha: Dicionário de Filosofia da Educação, de Cristopher Winch e John Gingell

De que falamos quando falamos de ensino, aprendizagem, avaliação, sucesso, disciplina, autoridade, por exemplo, em educação? A clarificação de tais conceitos fundamentais é uma tarefa cuja relevância é óbvia e que compete, no essencial, à filosofia da educação. Um guia inteligente e fiável, que nos ilumina na compreensão adequada destes e de outros conceitos, é este livro de Cristopher Winch e John Gingell. São 152 entradas que, no seu conjunto, abrangem todo o campo conceptual da filosofia da educação e constituem um instrumento de referência indispensável para quem se interessa pelos problemas filosóficos inevitavelmente envolvidos na educação.

Sábado, 30 de Agosto de 2008

Gondoleiro e Florista, de Axel Olsson
Gondoleiro e Florista, de Axel Olsson

Factivo, facticidade, factício e factitivo, de Desidério Murcho

Subsistem por vezes algumas confusões com respeito ao termo "factivo", confundindo-se com facticidade. Para efeitos de completude aproveito para esclarecer também outros termos relacionados. A factividade é um termo da linguística. Um verbo, por exemplo, é factivo quando a oração encaixada representa algo como um facto. Ou seja, quando esse verbo implica o facto expresso pela oração encaixada. Por exemplo, o verbo "sonhar" não é factivo porque "O Asdrúbal sonhou com uma árvore" não implica a existência da árvore; mas "ver" é factivo porque "O Asdrúbal viu uma árvore" implica a existência da árvore.

Domingo, 24 de Agosto de 2008

The Possibility of Metaphysics

A possibilidade da metafísica, de E. J. LoweAcesso gratuito

No prefácio, expliquei que o objectivo geral deste livro é ajudar a restaurar a centralidade da metafísica na filosofia, como a forma mais fundamental de investigação racional, com métodos e critérios de avaliação próprios. Mas para que tal projecto não aborte ainda antes de começar, precisamos de alguma garantia de que o seu objectivo é coerente e legítimo. Dar essa garantia será o propósito deste primeiro capítulo, que servirá também de introdução a alguns dos temas principais do livro.

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Matters of Metaphysics, de D. H. Mellor

Absurdo, humor e filosofia, de D. H. Mellor

Disse o bispo Berkeley em 1710, na introdução a Princípios do Conhecimento Humano: "Em geral, inclino-me a pensar que a maior parte, senão a totalidade, das dificuldades a que até agora os filósofos têm achado graça, e que bloquearam o acesso ao conhecimento, se devem inteiramente a nós mesmos — primeiro levantamos a poeira e depois queixamo-nos que não conseguimos ver (Introdução, § 3)." Estes comentários de Berkeley parecem-me hoje em dia tão verdadeiros como o eram em 1710. Na verdade, a situação é em alguns aspectos pior hoje do que então.

Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Thomas Hobbes
Thomas Hobbes

O Problema da Liberdade e a Liberdade como Problema em Thomas Hobbes, de Delmo Mattos da Silva

Qualificar a teoria política de Hobbes como adversa ao exercício da liberdade é uma tendência comum em determinadas interpretações a respeito dele. Com o propósito fundamental de evidenciar a incoerência destas interpretações, o presente estudo visa demonstrar a possibilidade efetiva da liberdade em relação ao poder do Estado (Commonwealth).

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