Falhar o alvo Stephen Downes Universidade de Alberta
Estas falácias têm em comum o facto de falharem a prova
de que a conclusão é verdadeira.
Petição de Princípio
(petitio principii)
A verdade da conclusão é pressuposta pelas premissas.
Muitas vezes, a conclusão é apenas reafirmada nas premissas
de uma forma ligeiramente diferente. Nos casos mais subtis,
a premissa é uma consequência da conclusão.
Exemplos:
Dado que não estou a mentir, segue-se que
estou a dizer a verdade.
Sabemos que Deus existe, porque a Bíblia o diz.
E o que a Bíblia diz deve ser verdadeiro, dado que
foi escrita por Deus e Deus não mente.
(Neste caso teríamos de concordar primeiro que Deus
existe para aceitarmos que ele escreveu a Bíblia.)
Prova:
Mostre que para acreditarmos nas premissas já teríamos de
aceitar a conclusão.
Referências:
Barker: 159;
Cedarblom e Paulsen: 144;
Copi e Cohen: 102; Davis: 33.
Conclusão Irrelevante
(ignoratio elenchi)
Um argumento prova uma coisa diferente da pretendida.
Examples:
Deves aceitar a nova política de arrendamento.
Não podemos continuar a ver pessoas a viver nas ruas, devemos ter
rendas mais baratas.
(Podemos pensar que é inaceitável ver pessoas a viver nas ruas e, no
entanto, não estarmos de acordo com as novas rendas)
A lei deve estipular uma percentagem mínima de mulheres
nos cargos políticos, repartições e empresas. Os homens dominam praticamente todos os
cargos importantes. Só uma sociedade discriminatória o pode suportar. Não fazermos
nada para alterar esse estado de coisas é inaceitável.
(Podemos concluir, com o argumentador, que a nossa sociedade é machista sem
termos de aceitar que a discriminação positiva que ele propõe é a solução.)
Prova:
Mostre que a conclusão apresentada pelo argumentador, com a qual até pode concordar,
não é a conclusão que ele pretendia tirar.
Referências:
Copi e Cohen: 105.
Espantalho
O argumentador, em vez de atacar o melhor argumento do seu opositor, ataca um argumento
diferente, mais fraco ou tendenciosamente interpretado. Infelizmente é uma das
"técnicas" de argumentação mais usadas.
Exemplos:
As pessoas que querem legalizar o aborto, querem prevenção irresponsável da gravidez.
Mas nós queremos uma sexualidade responsável. Logo, o aborto não deve ser legalizado.
Devemos manter o recrutamento obrigatório. As pessoas não querem o
fazer o serviço militar porque não lhes convém. Mas devem
reconhecer que há coisas mais importantes do que a conveniência.
Prova:
Mostre que o argumento oposto foi mal representado,
mostrando que os opositores têm argumentos mais fortes.
Descreva um argumento mais forte.
Referências:
Cedarblom e Paulsen: 138.
Stephen Downes
Tradução e adaptação de Júlio Sameiro
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