3 de Fevereiro de 2026   Filosofia política

Karl Marx

Eduard Bernstein
Tradução de Rodrigo Jungmann1

Heinrich Karl Marx (1818–1883), socialista alemão e líder da Associação Internacional dos Trabalhadores, nasceu em 5 de Maio de 1818 em Trèves (Renana prussiana).2 O seu pai, um advogado judeu, converteu-se ao cristianismo, e ele e toda a sua família foram batizados como cristãos protestantes. O filho foi cursar os seus estudos secundários em Trèves e frequentou a partir de 1835 as universidades de Bonn e Berlim. De início, estudou direito, e depois história e filosofia, e em 1841 obteve o grau de doutor em filosofia. Em Berlim, manteve uma intimidade próxima com os representantes mais destacados dos Jovens Hegelianos — os irmãos Bruno e Edgar Bauer e o seu círculo, os chamados “Freien”.3 Pretendeu inicialmente se estabelecer como instrutor na Universidade de Bonn, mas as suas posições radicais faziam uma carreira universitária ficar fora de questão, e aceitou trabalhar para um jornal radical, o Rheinische Zeitung,4 que expunha as ideias da parte mais avançada da bourgeoise5 renana radical. Em Outubro de 1842, se tornou um dos editores desta gazeta, que, no entanto, após uma luta incessante com os censores da imprensa, foi proibida no começo de 1843. No começo deste ano, Marx se casou com Jenny von Westphalen, filha de um importante funcionário do governo. Pelo lado materno, Jenny von Westphalen era descendente em linha direta do Conde de Argyle, que foi decapitado no reinado de James II. Foi uma companheira por demais fiel de Marx ao longo de todas as vicissitudes de sua carreira e morreu em 2 de dezembro de 1881; assim, Marx sobreviveu à sua morte por apenas quinze meses.

Já na Rheinische Zeitung algumas expressões do pensamento socialista se faziam ouvir, estando vazadas numa feição um tanto filosóficas. Marx, embora não aceitasse tais posições, recusou-se a criticá-las até ter estudado a questão de modo detido. Com tal propósito, foi no Outono de 1843 para Paris, onde o movimento socialista passava então pelo seu zênite intelectual, e onde, em companhia de Arnold Ruge, o renomado expoente literário do Hegelianismo Radical, viria a editar um periódico, os Deutsch-französische Jahrbücher,6 do qual, no entanto, apenas um número veio a lume. Continha dois artigos de Marx — uma crítica ao tratamento dado por Bruno Bauer à questão judaica e uma introdução a uma crítica da filosofia do direito de Hegel. O primeiro chegava à conclusão de que a emancipação social dos judeus só poderia ser obtida juntamente com a emancipação da sociedade do judaísmo, ou seja, do espírito comercial. O segundo declarava que na Alemanha não era possível emancipação política parcial; havia agora apenas uma classe da qual se deveria esperar uma luta real e ousada contra a autoridade — a saber, o proletariado. Mas o proletariado não poderia se emancipar a não ser que rompesse todos os grilhões, a não ser que dissolvesse toda a sociedade constituída, mediante a recriação do homem como membro da sociedade humana em substituição dos estados e classes estabelecidos. “Então o dia da ressurreição alemã será anunciado pelo canto do galo gaulês”. Ambos os artigos destarte remetiam a solução das questões que eram então proeminentes na Alemanha ao advento do socialismo, e neste sentido se assemelhavam em princípio a outras publicações socialistas da época. Mas o modo de raciocinar era diferente, e as últimas palavras da última oração citada apontavam para uma revolução política, destinada a começar na França assim que a evolução industrial houvesse criado um proletariado suficientemente forte. Em contraposição à maior parte dos socialistas da época, Marx enfatizava a luta política como alavanca da emancipação social. Em algumas cartas que faziam parte da correspondência entre Marx, Ruge, Ludwig Feuerbach e Mikhail Bakunin, publicadas como introdução ao periódico, esta oposição de Marx ao “dogmatismo” socialista foi enunciada de um modo ainda mais vigoroso: “Nada nos impede”, afirmou, “de combinar a nossa crítica com a crítica da política, de participar na política, e, como consequência, em lutas reais. Assim, não nos oporemos ao mundo como doutrinários detentores de um novo princípio: aqui está a verdade, ajoelhem-se! Expomos os novos princípios ao mundo a partir dos princípios do próprio mundo. Não lhe dizemos: ‘Abandone as suas lutas, são bobagem, nós mostraremos o verdadeiro grito de guerra’. Apenas explicamos o verdadeiro objeto pelo qual ele luta, e a consciência é uma coisa que ele tem de adquirir mesmo que se oponha a ela”.

Em Paris, Marx se encontrou com Friedrich Engels (1820–1895), de quem os Deutsch-französische Jahrbücher trouxeram dois artigos — um esboço vigorosamente escrito de uma crítica à economia política e uma carta sobre O Passado e o Presente, de Carlyle. Engels, filho de um abastado empresário da tecelagem do algodão, nasceu em 1820, em Barmen. Embora destinado pelo pai a seguir uma carreira no comércio, frequentou uma escola com ênfase nos clássicos, e durante o seu aprendizado e enquanto passava pelo serviço militar de um ano em Berlim, dedicou parte do seu tempo livre a estudos filosóficos. Em Berlim, frequentara a sociedade dos “Freien” e escrevera cartas para a Rheinische Zeitung. Em 1842, fora para a Inglaterra, já que a empresa do pai tinha uma fábrica perto de Manchester, e entrara em contato com os movimentos owenita e cartista, bem como com os comunistas alemães. Contribuiu para o Novo Mundo Moral, de Owen, e para a publicação cartista Estrela do Norte, renunciou a grande parte do seu raciocínio especulativo abstrato por uma concepção mais positivista das coisas, e se entregou a estudos econômicos. Agora, em Setembro de 1844, durante uma breve permanência em Paris, visitou Marx, e os dois se deram conta de que no que dizia respeito a todos os aspectos teóricos havia uma concordância perfeita entre eles. É a esta visita que remonta a amizade íntima e a colaboração e troca de ideias ininterruptas que duraram pelo resto das suas vidas, de tal sorte que até mesmo algumas das obras subsequentes de Marx, que publicou com o seu próprio nome, também são em maior ou menor grau obra de Engels. O primeiro resultado dessa colaboração foi o livro Die heilige Familie oder Kritik der kritischen Kritik, gegen Bruno Bauer und Konsorten,7 uma exposição mordaz da perversidade do radicalismo especulativo altissonante de Bauer e de outros “Freie” de Berlim. Por meio de uma análise, que, embora não esteja isenta de exagero e de um certo caráter difuso, fornece um testemunho da grande erudição de Marx e da vigorosa faculdade de discernimento de ambos os autores, mostra-se que a suposta crítica superior — a “crítica crítica” da escola de Bauer, baseada na doutrina da ideia “autoconsciente”, representada pelo crítico ou nele encarnada — era na verdade inferior ao mais antigo idealismo hegeliano. Os movimentos socialistas e da classe trabalhadora na Grã-Bretanha, na França e na Alemanha são defendidos contra a crítica superior da “sagrada” família Bauer.

Em Paris, onde manteve uma relação muito íntima com Heinrich Heine, que sempre falava dele com o maior respeito, e de quem alguns dos seus poemas lhe foram sugeridos por Marx, este último contribuiu para uma revista radical, a Vorwärts;8 mas, em consequência de um pedido do governo prussiano, quase toda a equipe da revista logo recebeu ordens de deixar a França. Desta feita, Marx foi para Bruxelas, onde pouco depois Engels se lhe juntou. Em Bruxelas, publicou a sua segunda grande obra, La Misère de la Philosophie,9 uma resposta incisiva a Philosophie de la Misère ou Contradictions Économiques,10 de J. P. Proudhon. Neste livro, aborda Proudhon, que defendera no trabalho anterior contra os Bauer, de uma maneira não menos dura do que o fez com estes últimos. Mostra-se que em muitos aspectos Proudhon é inferior tanto aos economistas de classe média quanto aos socialistas, que as suas descobertas proclamadas um tanto ruidosamente no que concerne à economia política foram feitas muito antes por socialistas ingleses e que as suas principais propostas para melhoras, a “constituição do valor-trabalho” e o estabelecimento de bazares de trocas, nada eram senão uma repetição do que os socialistas ingleses já haviam elaborado de maneira muito mais meticulosa e consistente. No seu todo, o livro demonstra um conhecimento notável da economia política. Fazendo justiça a Proudhon, deve-se acrescentar que é com mais frequência o seu modo de se expressar do que o pensamento subjacente às proposições atacadas que é o alvo da crítica de Marx. Em Bruxelas, Marx e Engels também escreveram vários ensaios nos quais criticaram os representantes literários alemães daquele tipo de socialismo e de radicalismo filosófico que foi influenciado principalmente pelos escritos de Ludwig Feuerbach e que deduziu os seus teoremas ou postulados de especulações sobre a “natureza do homem”. Apelidaram-no zombeteiramente de “socialismo alemão ou verdadeiro”, e ridicularizaram a ideia de que pela desconsideração de distinções históricas e de classe se pudesse obter uma concepção da sociedade e do socialismo superior à dos trabalhadores e teorizadores ingleses e franceses. Alguns destes ensaios foram publicados à época, dos quais, dois ou três, de modo bastante curioso, o foram na própria revista de um dos escritores atacados; um deles, uma crítica ao próprio Feuerbach, foi publicado, com modificações por Engels em 1885, mas outros permaneceram em forma de manuscrito. De início, destinavam-se à publicação em dois volumes como crítica à filosofia alemã pós-hegeliana, mas a Revolução de 1848 adiou por algum tempo todo o interesse por discussões teóricas.

Em Bruxelas, Marx e Engels entraram em contato ainda mais próximo com o movimento socialista da classe trabalhadora. Fundaram uma sociedade de trabalhadores alemães, adquiriram um semanário alemão local, o Brüsseler deutsche Zeitung11 e por último se juntaram a uma sociedade comunista de trabalhadores alemães, a “Liga dos Justos”, uma sociedade secreta que mantinha as suas filiais principais em Londres, Paris, Bruxelas e várias cidades suíças. Para esta liga, que até então havia aderido ao comunismo sem refinamentos do hábil operário alemão Wilhelm Weitling, mas que agora se auto-intitulava “Liga dos Comunistas”, renunciava às suas tendências conspiratórias e se tornava um órgão educativo e propagandístico, Marx e Engels, no fim de 1847, escreveram o seu famoso panfleto Manifest der Kommunisten.12 Tratava-se de uma exposição concisa da história do movimento da classe trabalhadora no interior da sociedade moderna em conformidade com as suas posições, ao qual se acrescentou um exame crítico da bibliografia socialista e comunista existente, e uma explicação da atitude dos comunistas para com os partidos de oposição avançados nos diversos países. O manifesto mal havia sido impresso quando, em Fevereiro de 1848, irrompeu a Revolução na França, e “o canto do galo gaulês” deu o sinal para um levante na Alemanha, como Marx havia profetizado. Depois de uma breve estada na França, Marx e Engels foram para Colônia em Maio de 1848, e lá, em companhia de alguns amigos, fundaram a Neue rheinische Zeitung,13 com o subtítulo “Um Órgão da Democracia”, um jornal político diário de larga escala do qual Marx era o editor-chefe. Assumiram uma atitude francamente revolucionária, e dirigiram a sua crítica em ampla medida aos partidos democráticos de classe média, que, ao evadirem todas as questões decisivas, atrasaram a realização do levante. Quando em Novembro de 1848 o rei da Prússia dissolveu a Assembleia Nacional, Marx e os seus amigos defenderam o não-pagamento de impostos e a organização da resistência armada. Na sequência, foi declarado o estado de sítio em Colônia, o Neue rheinische Zeitung foi suspenso, e Marx foi levado a julgamento por alta traição. Foi inocentado de forma unânime por um júri de classe média, mas em Maio de 1849 foi expulso do território prussiano. Foi para Paris, mas logo lhe foi dada a opção de deixar Paris ou de se estabelecer em alguma pequena localidade provinciana. Preferiu a primeira opção e foi para a Inglaterra. Se estabeleceu em Londres e lá permaneceu o resto da vida.

De início, tentou reorganizar a Liga Comunista, mas pouco depois irrompeu um conflito nas suas fileiras, e depois de alguns dos seus membros terem sido julgados na Alemanha e condenados por alta traição, Marx, que fizera tudo para salvar os acusados, dissolveu por completo a Liga Comunista. Nem tampouco uma empreitada literária, uma revista, também chamada Neue rheinische Zeitung, teve mais sucesso; apenas seis números foram veiculados. Conteve, no entanto, alguns contributos muito notáveis; e uma série de artigos sobre as ocorrências da Revolução Francesa de 1848, que fez lá a sua primeira aparição, foi publicada por Engels em 1895 sob a forma de livro com o título Die Klassenkämpfe in Frankreich von 1848,14 “de autoria de Karl Marx”. Os Panfletos dos Últimos Dias, de Carlyle, publicados nesta época, receberam uma crítica veemente na Neue rheinische Zeitung. As tentativas de Ernest Jones e de outros indivíduos de fazer reviver o movimento cartista foram entusiasticamente apoiados por Marx, que contribuiu para vários periódicos cartistas do período, de modo geral, ainda que nem sempre, sem obter ou requerer pagamento. Vivia nesta época em grandes apuros financeiros, ocupava uns poucos cômodos na Dean Street, no Soho, e todos os filhos nascidos nessa altura morreram muito novos. Por fim, foi convidado a escrever cartas para a New York Tribune, cuja equipe era composta de democratas avançados e de socialistas da escola fourierista. Por essas cartas era pago no valor de um guinéu por unidade. Uma parte delas, que lidavam com a Questão Oriental e com a Guerra da Crimeia, foi republicada em 1897 (Londres, Sonnenschein). Na época, algumas chegaram até a ser reimpressas em forma de panfletos. A cooperação de Marx, que era decididamente anti-russo, visto que a Rússia era a principal potência reacionária da Europa, foi obtida por David Urquhart e seguidores. Vários artigos de Marx foram veiculados como panfletos pelos comitês urquhartistas, e Marx escreveu uma série de artigos sobre a história diplomática do século XVIII para o periódico urquhartista Free Press (Sheffield and London, 1856–1857). Quando irrompeu em 1859 a Guerra Franco-Austríaca pela Itália, Marx a denunciou como uma intriga franco-russa, voltada contra a Alemanha, por um lado, e contra o movimento revolucionário na França, por outro. Opôs-se àqueles democratas que apoiavam uma guerra que a seu ver visava a independência da nação italiana e prometia enfraquecer a Áustria, cuja superioridade na Alemanha era um empecilho para a unidade alemã. Comentários depreciativos dirigidos contra ele pelo renomado naturalista Karl Vogt deram ensejo a uma réplica não menos violenta, Herr Vogt,15 um livro repleto de material interessante para o estudioso da história moderna. A alegação de Marx de que Vogt agiu como agente do círculo íntimo bonapartista, parece ter sido bem fundamentada, ao passo que permanece em aberto a questão relativa à extensão das motivações desonradas de Vogt. As discussões provocadas pela guerra também resultaram num grande afastamento entre Marx e Ferdinand Lassalle. Lassalle adotara uma visão da Guerra semelhante à defendida por Vogt, e por ela se bateu com enorme denodo em cartas dirigidas a Marx. No mesmo ano, 1859, Marx publicou como primeiro resultado dos seus renovados estudos econômicos o livro Zur Kritik der politischen Ökonomie.16 Mas Marx concluiu que o arranjo dos seus materiais não atendia plenamente ao seu propósito e que muitos detalhes tinham ainda de ser elaborados. Como consequência, alterou o plano inteiro e se sentou para reescrever o livro, cujo primeiro volume publicou em 1867 com o título Das Kapital.17

Neste ínterim, em 1864, foi fundada em Londres a Associação Internacional dos Trabalhadores, e Marx se tornou de fato o diretor do seu conselho-geral, ainda que nominalmente não o fosse. Todos os seus discursos e proclamações foram escritos por Marx e explicados em palestras aos membros do conselho. Os primeiros anos da Internacional transcorreram de maneira bastante tranquila. Marx estava então na sua melhor forma. Exibia na Internacional uma sagacidade política e uma tolerância que se presta a uma comparação muito favorável com algumas das publicações da Liga Comunista. Nela, Marx servia mais como professor do que como agitador, e as suas exposições sobre temas como a educação, os sindicatos, a jornada de trabalho e a cooperação eram muitíssimo instrutivas. Não se apressava em propor resoluções extremas, mas submetia as suas propostas de tal maneira que podiam ser adotadas até pelas seções mais atrasadas, e todavia não continham concessões a tendências reacionárias. Mas este estado de coisas não pôde continuar. A agitação anarquista de Bakunin, a Guerra Franco-alemã e a Comuna de Paris criaram um estado de coisas diante do qual a Internacional sucumbiu. As paixões e os preconceitos eram de tal monta que se mostrou impossível manter qualquer tipo de federação centralizada. No Congresso de Haia, em Setembro de 1872, o conselho-geral foi removido de Londres para Nova Iorque. Mas isso foi apenas uma improvisação, e em Julho de 1876 o que restava da antiga Internacional foi dissolvido numa conferência em Filadélfia. O fato de o seu espírito não ter desfalecido foi revelado nos congressos internacionais subsequentes e no crescimento e natureza dos partidos trabalhistas socialistas em diversos países. Os seus programas foram fundados predominantemente com base nos seus princípios, mas nos seus detalhes não estão sempre em plena conformidade com as opiniões de Marx. Assim, o programa que o partido socialista alemão aprovou no seu congresso em 1875 foi criticado por Marx de um modo muito severo. Esta crítica, reimpressa em 1891 na revista Die neue Zeit,18 é de grande importância para a análise da concepção do socialismo em Marx.

A dissolução da Internacional forneceu a Marx a oportunidade de retornar ao seu trabalho científico. Não conseguiu, no entanto, publicar volumes adicionais de Das Kapital. Para deixá-lo tão completo quanto possível — em particular, a parte que lidava com a propriedade da terra — empreendeu, segundo afirma Engels, vários novos estudos, mas o adoecimento reiterado interrompeu as suas pesquisas, e, em 14 de Maio de 1883, ele morreu tranquilamente.

A partir dos manuscritos que deixou, Engels compilou um segundo e um terceiro volumes de Das Kapital , usando de modo judicioso e elaborado capítulos completos e incompletos, cópias aproximadas e excertos que Marx havia escrito em épocas diferentes. Grande parte do texto usado remonta aos anos de 1860, ou seja, representa o trabalho tal como foi inicialmente concebido por Marx, de modo que, por exemplo, os materiais publicados como o terceiro volume foram predominantemente escritos muito antes dos materiais usados para compilar o segundo volume. O mesmo se aplica ao quarto volume. Embora a obra abranja assim os quatro volumes19 prometidos no prefácio do livro, é só num sentido muito restrito que pode ser considerada completa. Em sua substância e modo de apresentação, deve ser considerada uma espinha dorsal. E talvez não seja de todo acidental o fato de o ser. Marx, se tivesse vivido mais tempo e desfrutado de uma saúde melhor, teria dado ao mundo uma quantidade muito maior de trabalho científico de alto valor do que ocorre presentemente. Mas parece duvidoso que tivesse levado Das Kapital, a sua obra principal, a uma conclusão satisfatória.

Das Kapital se propõe a exibir de modo histórico e crítico o mecanismo inteiro da economia capitalista. O primeiro volume trata dos processos de produção do capital, o segundo da circulação do capital, o terceiro dos movimentos do capital como um todo, ao passo que o quarto fornece a história das teorias acerca do capital. O capital é, segundo Marx, o meio de apropriação do mais-valor, 20 em contraposição à renda do solo (a renda sobre qualquer tipo de propriedade terrena, como a terra, minas, rios, etc., baseada no uso monopolista de tal propriedade). O mais-valor é criado apenas no processo de produção, é aquela parte do valor do produto recém-criado que não é dado ao trabalhador como retribuição — o salário — pela força de trabalho que despendeu ao trabalhar. Embora seja de início tomada pelo empregador, é dividido nas diferentes fases da relação econômica na forma de lucro pela empreitada industrial, lucro comercial ou dos mercadores, juros e renda da terra. O valor de toda a mercadoria consiste do trabalho nela despendido, e é medido de acordo com o tempo transcorrido pelo trabalho empregado na sua produção. O trabalho em si não tem valor, sendo apenas a medida do valor, mas a força de trabalho do trabalhador tem um valor, o valor dos meios requeridos para manter o trabalhador em condições normais de existência social. Assim, em contraste com outras mercadorias, na determinação do valor da força de trabalho, entra, além do elemento puramente econômico, um elemento moral e histórico. Se hoje o trabalhador recebe um salário que cobre as necessidades mínimas da vida, é pago abaixo do que é devido — não recebe o valor real da sua força de trabalho. Pois o valor de qualquer mercadoria é determinado pelos seus custos de produção (ou, neste caso, de manutenção) socialmente necessários. “Socialmente necessários” significa, ademais, que não há mais trabalho incorporado numa mercadoria do que o que é requerido pela aplicação de uma força de trabalho, ferramentas, etc., de eficiência mediana ou normal, e que a mercadoria é produzida na quantidade requerida para satisfazer a demanda efetiva. Visto que isso não pode ser conhecido antecipadamente, o valor de mercado da mercadoria apenas gravita em torno do seu valor (abstrato). Mas a longo prazo ocorre uma equiparação, e para as suas deduções ulteriores Marx presume que as mercadorias são trocadas de acordo com o seu valor.

Aquela parte de um capital industrial que é empregada em instalações, máquinas, matérias-primas e insumos é denominada por Marx capital constante, pois o seu valor ou o da sua depreciação pelo uso reiterado reaparece em proporções iguais no valor do novo produto. Com o valor do trabalho, as coisas invertem-se. O novo valor do produto deve necessariamente ser sempre mais elevado do que o valor da força de trabalho usada. É por isso que o capital empregado na compra da força de trabalho, ou seja, em salários, é denominado capital variável. A tendência da produção capitalista é reduzir o montante gasto com salários e aumentar o montante investido em máquinas, etc. Pois com as limitações naturais e sociais, legais e de outra sorte, impostas à jornada de trabalho, e com a oposição a uma redução ilimitada dos salários, não há outra forma de baratear a produção e derrotar a competição. Em conformidade com a proporção existente entre o capital constante e o capital variável, Marx faz uma distinção entre capitais de composição mais baixa, mediana e mais elevada, sendo a composição mais elevada aquela na qual é empregado proporcionalmente o menor montante de capital variável (salários).

A razão entre os salários que os trabalhadores recebem e o mais-valor que produzem denomina Marx taxa do mais-valor; a razão entre o mais-valor produzido e a totalidade do capital empregado é a taxa de lucro. É então evidente que a taxa de mais-valor pode aumentar e que a taxa de lucro pode decrescer ao mesmo tempo, e isto é o que de fato ocorre. Há uma tendência contínua de queda das taxas de lucro, e é só mediante forças em sentido oposto que o decréscimo é temporariamente interrompido, prolongado, ou mesmo por vezes revertido. Além disso, mediante a competição e o movimento de capitais, as taxas de lucro nos diferentes ramos do comércio são pressionadas na direção de uma equiparação na forma de uma taxa média de lucros, e é o preço da produção que figura ante a mente empírica do homem de negócios como o valor da mercadoria. A lei real do valor, ao contrário, desaparece numa sociedade na qual, como ocorre hoje, as mercadorias são compradas e vendidas por dinheiro em vez de serem trocadas por outras mercadorias. Todavia, também é hoje esta lei do valor (“valor do trabalho”) que em última instância rege os preços e os lucros.

A tendência de baratear a produção mediante o aumento da proporção relativa do capital constante — o capital fixo do economista clássico acrescido daquela porção do capital circulante que consiste de matérias-primas, insumos, etc. — leva a um aumento contínuo do tamanho das empresas privadas e à sua concentração crescente. É a empresa maior que derrota e engole a menor. O número de trabalhadores dependentes — “proletários” — está assim em crescimento constante, enquanto o emprego só por vezes consegue acompanhar o seu número. O capital alternadamente atrai e repele os trabalhadores e cria uma população excedente constante de trabalhadores — um exército de reserva para as suas demandas — que contribui para a diminuição dos salários e para a manutenção de toda classe numa situação de dependência econômica. Um número decrescente de capitalistas usurpam e monopolizam todos os benefícios do progresso industrial, ao passo que cresce a extensão da miséria, da opressão, da servidão, da depravação e da exploração. Mas, ao mesmo tempo, a classe trabalhadora cresce numericamente de modo contínuo, e se torna disciplinada, unida e organizada em função do próprio mecanismo do modo capitalista de produção. A centralização dos meios de produção e a socialização do modo de produção atingem um ponto no qual se tornarão incompatíveis com o seu invólucro capitalista. Terá então soado o dobre fúnebre da propriedade privada capitalista. Quem costumava expropriar será expropriado. A propriedade privada será estabelecida de novo com base na cooperação e posse comum da terra e dos meios de produção produzidos pelo trabalho.

Estes são os contornos principais de Das Kapital. As suas deduções puramente econômicas são dominadas em toda a sua extensão pela teoria do mais-valor. O seu princípio sociológico principal é a concepção materialista da história. Esta teoria em Das Kapital é apresentada apenas por implicação, mas foi expressa de modo mais coeso no prefácio de Zur Kritik, e em várias obras de Engels. Em conformidade com essa teoria, a base material da vida, a maneira pela qual a vida e as suas exigências são produzidas, determina em última instância as ideias sociais do momento ou da época histórica, de sorte que mudanças fundamentais na primeira também produzem a longo prazo mudanças na última. Um conjunto de instituições sociais reage a um dado modo de produção, e os períodos nos quais as instituições não reagem mais ao modo de produção são períodos de revolução social, que prosseguem até ocorrer um ajustamento suficiente. As principais forças subjetivas na luta entre a antiga ordem social e a nova são as classes, nas quais a sociedade se divide após a dissolução das tribos comunistas ou semi-comunistas e a criação dos estados. E enquanto a sociedade estiver dividida em classes, persistirá uma guerra de classes, às vezes de uma forma mais latente ou oculta, às vezes de uma forma mais aberta ou aguda, de acordo com as circunstâncias. Na sociedade capitalista avançada, as classes entre as quais ocorre a guerra decisiva são os proprietários capitalistas dos meios de produção e os trabalhadores assalariados ou sem propriedade, o “proletariado”. Mas o proletariado não pode se libertar sem libertar todas as outras classes oprimidas, e assim a sua vitória significa o fim completo da exploração e da repressão política. Como consequência, o estado, enquanto poder repressivo, se extinguirá e uma associação livre tomará o seu lugar.

Praticamente desde o principio, Das Kapital e as publicações de Marx e Engels a associadas a essa obra foram sujeitas a todos os tipos de críticas. A originalidade das suas ideias principais foi contestada, as próprias ideias foram declaradas falsas ou apenas parcialmente verdadeiras, e consequentemente aptas a levar a conclusões erradas; e afirmou-se acerca de muitas das afirmações de Marx que são incorretas, e que muitas das estatísticas com base nas quais baseia as suas conclusões não provam o que o autor quer. No que concerne ao primeiro ponto, deve-se admitir que os disjecta membra21 da teoria do valor de Marx e da sua concepção materialista da história já se encontram nos escritos de socialistas e sociólogos precedentes. Pode-se até chegar ao ponto de dizer que aqueles pontos da doutrina marxista que se tornaram populares são num grau muito diminuto o produto do gênio de Marx, e que o que realmente pertence a Marx, a conjunção e elaboração metódicas destes pontos, bem como as deduções mais sutis extraídas da sua aplicação, são geralmente ignoradas. Mas essa é uma experiência que se repete vezes sem conta na história das ciências dedutivas, e é de todo irrelevante para a questão acerca do lugar de Marx na história do socialismo e da ciência social.

Além disso, deve-se admitir que em muitos lugares a evidência estatística na qual Marx baseia as suas deduções é insuficiente ou inconclusiva. Ademais — e esta é uma das admissões mais prejudiciais — acontece de modo reiterado o caso de Marx assinalar todos os fenômenos relacionados com uma certa questão mas subsequentemente ignorá-las e proceder como se não existissem. Assim, por exemplo, no fim do primeiro volume, no qual esboça a tendência histórica da acumulação capitalista, fala do número decrescente dos magnatas do capital como um fato estabelecido. Mas todas as estatísticas mostram que o número de capitalistas não decresce, mas cresce; e em outros lugares em Das Kapital este fato é na verdade admitido e até realçado. Marx, como se vê no terceiro volume, está também inteiramente ciente de que as companhias de responsabilidade limitada desempenham um papel importante na distribuição da riqueza. Mas também deixa este fator inteiramente omisso, e confunde a concentração de empresas privadas com a centralização de fortunas e capitais. Em razão desta e de outras omissões, e deixando inteiramente de lado desdobramentos que não poderia prever, Marx anuncia uma evolução futura que tem muito pouca probabilidade de ocorrer do modo descrito.

Nesta e em outras características da sua obra, revela-se um dualismo que é também observável com muita frequência nas suas ações em vida — a predominância alternada entre o espírito do estudioso e o espírito do radical revolucionário. Marx intitulou inicialmente a sua grande obra como Crítica da Economia Política, e este ainda é o subtítulo de Das Kapital. Mas a concepção de crítica ou criticar tem em Marx um significado muito acentuado. Marx usa estes termos preponderantemente como idênticos a uma oposição fundamental. Por mais que zombasse da “crítica crítica” dos Bauer, pertence ainda à sua estirpe neste aspecto, e tem recaídas nos seus hábitos. Manteve em princípio o método dialético hegeliano, acerca do qual afirmou que para poder ser empregado racionalmente teria de ser “virado de cabeça para baixo”, ou seja, colocado sobre uma base materialista. Mas, na realidade, infringiu esta prescrição em muitos aspectos. A dialética materialista em sentido estrito não pode concluir muitas coisas que vão além dos fatos reais. O materialismo dialético é revolucionário no sentido de não reconhecer qualquer caráter de finalidade, mas afora isso é necessariamente positivista no sentido geral deste termo. Mas a oposição de Marx à sociedade moderna era fundamental e revolucionária, e responde à oposição do proletário ao burguês. E aqui chegamos à contradição principal e fatal da sua obra. Marx quis proceder, e em grande medida de fato procedeu, de modo científico. Nada deveria ser deduzido de ideias preconcebidas; era apenas das leis evolutivas observadas e das forças da sociedade moderna que se deveria extrair conclusões. E, no entanto, a conclusão final do trabalho, como já se fez notar, é uma ideia preconcebida; é o anúncio de um estado social em oposição lógica ao que está dado. De modo imperceptível, o movimento dialético das ideias substitui o movimento dialético dos fatos, e o movimento real dos fatos só é considerado na medida em que for compatível com o primeiro. A ciência é violentada no interesse da especulação. O quadro fornecido no final do primeiro volume corresponde a uma conclusão obtida mediante o socialismo especulativo na década de 1840. É bem verdade que Marx chama a este capítulo “a tendência histórica da acumulação capitalista”, e “tendência” não necessariamente significa uma realização em todos os detalhes. Mas, de modo geral, a linguagem aí usada é por demais absoluta para permitir a interpretação de que Marx apenas quis fornecer um quadro especulativo do objetivo do destino ao qual a acumulação capitalista conduziria se não fosse interditada por uma reação socialista. O epíteto “histórico” indica antes que a passagem em questão destinava-se a dar no essencial um delineamento verdadeiro da revolução social vindoura. Também somos levados a essa conclusão pelo fato de, numa linguagem que não é nem um pouco condicional, se afirmar aí que a mudança da propriedade capitalista para a propriedade social significará “apenas a expropriação de uns poucos usurpadores pela massa do povo”. Em suma, a principal razão para as contradições inegáveis em Das Kapital encontra-se no fato de onde Marx se ocupa de detalhes ou de temas subordinados faz normalmente notar as mudanças que a evolução real havia trazido desde a época dos seus primeiros escritos socialistas e assim assinala ele próprio até que ponto os seus pressupostos tinham sido corrigidas pelos fatos. Mas quando chega a conclusões gerais, adere no essencial às proposições originais baseadas nos antigos pressupostos não corrigidos. Além disso, o caráter complexo da sociedade moderna é grandemente subestimado, de sorte que, por exemplo, características importantes, como a influência das mudanças de tráfego e agregação na vida moderna, mal são consideradas em absoluto; e os problemas industriais e políticos são vistos apenas sob o aspecto do antagonismo de classe, e nunca em seu aspecto administrativo. No que concerne à teoria do mais-valor e à sua fundação, a teoria do valor do trabalho, o tanto que pode ser dito com segurança é que, em sendo aceitas as suas premissas, é elaborada de uma maneira muito engenhosa e consistente. E visto que a sua principal alegação é de qualquer forma verdadeira no sentido em que os trabalhadores assalariados como um todo produzem mais do que recebem, a teoria tem o grande mérito de demonstrar as relações entre os salários e a produção excedente e os movimentos do capital. Mas a teoria do valor do trabalho, enquanto fator determinante da troca ou do valor de mercado das mercadorias, pode ser contestada de modo justificado, e certamente não é mais verdadeira do que as teorias do valor baseadas na demanda social ou na utilidade. O próprio Marx, ao colocar no terceiro volume a lei do valor como pano de fundo e apresentar a formação do “preço da produção” como o determinante empírico dos preços na sociedade moderna, justifica aqueles que encaram a concepção do valor do trabalho como uma fórmula abstrata que não se aplica em absoluto a trocas particulares de mercadorias, mas que serve apenas para mostrar um exemplo típico imaginado do que na verdade é verdadeiro apenas no que concerne à produção da totalidade da riqueza social. Entendida desta forma, a concepção do valor do trabalho não merece objeção, mas perde muito da importância a ela atribuída pela maior parte dos discípulos de Marx e ocasionalmente pelo próprio Marx. É um meio de analisar e exemplificar o mais-valor, mas é de todo inconclusiva como a prova do mais-valor ou como uma indicação do grau de exploração dos trabalhadores. Isto se torna mais visível quanto mais o leitor avança no segundo e terceiro volumes de Das Kapital, em que o capital comercial, o capital financeiro e a renda do solo são tratados. Embora seja repleto de elegantes observações e deduções, formam, de um ponto de vista revolucionário, um anti-clímax do primeiro volume. É difícil ver, depois de tudo o que aí se explica sobre as funções das classes que estão entre os empregadores industriais e os trabalhadores, como Marx poderia ter retornado àquelas conclusões abrangentes com as quais acaba o primeiro volume.

A grande realização científica de Marx reside então não nestas conclusões, mas nos detalhes e mais ainda no método e nos princípios de suas investigações em sua filosofia da história. Neste âmbito, como agora geralmente se admite, abriu novas veredas e novas perspectivas. Ninguém antes havia mostrado tão claramente o papel das forças produtivas atuantes na evolução histórica; ninguém havia exibido com tanta mestria a sua grande influência determinante sobre as formas e ideologias dos organismos sociais. As passagens e capítulos que tratam deste tema formam, a despeito de exageros ocasionais, as partes que coroam as suas obras. Se foi com justeza comparado com Darwin, é nestes aspectos que está no mesmo patamar daquele grande gênio, e não por meio da sua teoria do valor, por mais engenhosa que seja. Com o grande teórico da transformação biológica, teve também em comum o modo infatigável com que realizou estudos trabalhosos dos mínimos detalhes relacionados às suas pesquisas. No mesmo ano que apareceu a obra sobre a origem das espécies, que marcou toda uma época, apareceu também a obra Zur Kritik der politischen Ökonomie, de Marx, em cujo prefácio o autor explica em sentenças concisas aquela teoria da história que tem para a teoria da transformação ou da evolução dos organismos sociais a mesma importância que teve o argumento de Darwin para a teoria da transformação dos organismos biológicos.

Eduard Bernstein

Notas do tradutor

  1. O verbete “Karl Marx” foi traduzido da célebre edição da Encyclopedia Britannica, em 1911. Na sua forma física, apareceu no volume 17 da referida edição. Ainda hoje, a Britannica de 1911 é singularizada pela fama dos autores dos seus verbetes e pela sua qualidade literária. Em conformidade com essa prática, a confecção da peça foi confiada a um autor bem conhecido por seus próprios méritos, Eduard Bernstein. A peça é ainda relevante ao nosso ver por ser representativa do tipo de celebridade desfrutada por Marx na Europa Ocidental anos antes do advento da Revolução Russa e da formação de uma ortodoxia leninista no seio do movimento comunista internacional. Vale notar ainda que obras fundamentais como As Teses sobre Feuerbach, A Ideologia Alemã e Os Manuscritos Econômico-filosóficos ainda não havia vindo a lume. Um tanto crítico ao pensamento econômico de Karl Marx mas entusiástico da sua concepção materialista da história, Bernstein nos deixou uma minibiografia de grande interesse histórico tanto para os críticos quanto para os admiradores de Marx. O original está em https://en.wikisource.org/wiki/1911_Encyclopædia_Britannica/Marx,_Heinrich_Karl. ↩︎
  2. Bernstein opta pela designação francesa de Trier. Tinha em mente talvez a forte influência que a Revolução Francesa exerceu na parte mais a oeste dos territórios alemães. À época, a região pertencia administrativamente à Prússia propriamente dita, em que pese a distância geográfica existente entre as regiões. ↩︎
  3. Em alemão no original: “Livres”. ↩︎
  4. Em alemão no original: “Gazeta Renana”. ↩︎
  5. Em francês no original: “burguesia”. ↩︎
  6. Em alemão no original: “Anuários franco-alemães”. ↩︎
  7. Em alemão no original: A Sagrada Família ou Crítica do Criticismo Crítico, contra Bruno Bauer e Consortes. ↩︎
  8. Em alemão no original: “Avante”. ↩︎
  9. Em francês no original: “A Miséria da Filosofia”. Como se sabe, este livro foi escrito por Marx em francês. ↩︎
  10. Em francês no original: “Filosofia da Miséria ou Contradições Econômicas”. ↩︎
  11. Em alemão no original: “Gazeta Alemã de Bruxelas”. ↩︎
  12. Em alemão no original: “Manifesto dos Comunistas”. O texto se tornou mais conhecido como Manifesto Comunista ou Manifesto do Partido Comunista. ↩︎
  13. Em alemão no original: “Nova Gazeta Renana”. ↩︎
  14. Em alemão no original: “As Lutas de Classe na França de 1848”. ↩︎
  15. Em alemão no original: “Senhor Vogt”. ↩︎
  16. Em alemão no original: “Para a Crítica da Economia Política”. ↩︎
  17. Em alemão no original: “O Capital”. ↩︎
  18. Em alemão no original: “O Novo Tempo”. ↩︎
  19. Entre nós, costuma-se falar de três volumes do Capital. O dito quarto volume aparece por vezes em um ou mais volumes com o título Teorias do Mais-valor. ↩︎
  20. Embora a expressão “mais-valia” tenha tido um amplo uso em português, optou-se por “mais-valor”, em conformidade com a prática corrente em traduções mais recentes. ↩︎
  21. Em latim no original: “membros despedaçados”, em tradução literal. Em tradução menos deselegante: “componentes dispersos”. ↩︎
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